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Um pouco sobre: a Reforma Ortográfica

sábado, 5 de julho de 2014

Um novo jeito de escrever 

"Acordo vem para unificar a ortografia oficial dos países de língua portuguesa e aproximar nações" (por Mariana Sgarioni)

“A adopção de uma única ortografia entre países de língua portuguesa pode ser óptima.” Se este texto fosse escrito em Portugal, a frase anterior estaria corretíssima. Já no Brasil, a letra p (nas palavras adopção e óptima) está sobrando e parece um erro de digitação – apesar de todos sabermos que se trata do mesmo idioma. 

Do ponto de vista da ortografia, existem diferenças bastante relevantes na língua portuguesa. E não apenas entre os dois países. Nas outras seis nações que falam e escrevem o português (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) ocorre o mesmo.

Para acabar com essas diferenças, foi criado, em 1990, um acordo ortográfico – que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2009. “A existência de duas grafias oficiais acarreta problemas na redação de documentos em tratados internacionais e na publicação de obras de interesse público”, defendia o filólogo Antônio Houaiss, o principal responsável pelo processo de unificação no Brasil.

Originalmente, o combinado era que todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deveriam ratificar o acordo para que ele tivesse valor. Em 2004, porém, os chefes de Estado da CPLP decidiram que bastava a aprovação de três nações para a reforma ortográfica entrar em vigor. O Brasil, no entanto, definiu que mudaria o jeito de escrever somente se Portugal também o fizesse (e o “sim” de Lisboa às novas normas, enfim, foi dado). É importante ressaltar que a pronúncia, o vocabulário e a sintaxe permanecem exatamente como estão. A novidade é a unificação da grafia de algumas palavras.

LÍNGUA INTERNACIONAL

Daqui para frente, a língua portuguesa (comum aos países lusófonos) tem tudo para ganhar espaço – até mesmo em fóruns internacionais -, pois o intercâmbio e informações e texto ficará mais fácil. Unificar a grafia também visa aproximar as oito nações da CPLP, reduzir custos de produção e adaptação de livros e facilitar a difusão bibliográfica de novas tecnologias, bem como simplificar algumas regras (que suscitam dúvidas até entre especialistas).

Do ponto de vista prático, ganha força o idioma falado no Brasil. Isso porque os portugueses terão de promover mais mudanças na escrita que nós, adaptando várias palavras à grafia brasileira. Por exemplo: acção passa a ser ação. E cai também o h inicial de herva e húmido.

O português é a única língua com dois cânones ortográficos, um europeu e outro brasileiro, e isso não só dificulta nossa vida lá fora como também a dos estrangeiros que querem aprendê-lo. “Inscreve-se, finalmente, a língua portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, na difusão e na ilustração da língua da lusofonia”, afirma Cícero Sandroni, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Além da unificação da grafia, o acordo propõe simplificar o idioma, no mesmo espírito do que ocorreu na década de 1910, quando uma reforma semelhante alterou o modo de escrever palavras como pharmacia e christallino (para farmácia e cristalino, sem o ph, o ch e o ll). Na época, porém, as mudanças foram encabeçadas por Portugal, que não consultou o Brasil e acabou aprofundando algumas diferenças ortográficas.

TEMPO DE ADAPTÇÃO

Aqui no Brasil, a última grande reforma do idioma foi realizada em 1971, a fim de aproximar mais nosso jeito de escrever do de Portugal. Desde então foi abolido o acento diferencial em alguns vocábulos, bem como o acento grave ou circunflexo nas palavras derivadas de outras acentuadas – mais de dois terços dos acentos que causavam divergências foram suprimidos. Nessa mesma época os substantivos acordo e governo viraram acordo e governo (perderam o circunflexo que os diferenciava das formas verbais eu acordo e eu governo, que eram e continuam sendo pronunciadas de forma diferente). Outras palavras, como somente, propriamente, rapidamente, cortesmente, sozinho, cafezinho e cafezal, também deixaram de ser acentuadas. Naquela ocasião, muitas pessoas estranharam a alteração (sem falar que diversos materiais impressos, como livros, levaram um bom tempo até ter novas edições com o jeito certo de escrever). Até hoje, aliás, ainda há quem escreva ele, como o circunflexo extinto no início dos anos 1970.



O QUE MUDA?

Alfabeto

Inclusão de três letras. Passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k“, “w” e “y“.

Acentuação dos ditongos das palavras paroxítonas

Some o acento dos ditongos (quando há duas vogais na mesma sílaba) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte):

idéia  ----------------->  ideia

bóia   ----------------->   boia

asteróide  ----------------->   asteroide

Coréia   ----------------->   Coreia

platéia   ----------------->   plateia

assembléia  ------------>   assembleia

heróico   ----------------->   heroico

estréia   ----------------->   estreia

paranóia   ------------->   paranoia

Européia   ------------>   Europeia

apóio   ----------------->   apoio

jibóia   ----------------->   jiboia

jóia   ------------------>   joia

ATENÇÃO! As palavras oxítonas como herói, papéis, troféu mantêm o acento.

Acento circunflexo em letras dobradas

Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):

crêem   ----------------->   creem 

lêem   ----------------->   leem

dêem   ----------------->   deem

vêem   ----------------->   veem

prevêem  -----------------> preveem

enjôo   ----------------->   enjoo

vôos   ----------------->   voos


Acento agudo de algumas palavras paroxítonas

Some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas:

baiúca   ----------------->   baiuca

bocaiúva   ----------------->   bocaiuva

feiúra   ----------------->   feiura

ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí.

Acento diferencial

Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):

pêlo  ----------------->   pelo

pára   ----------------->   para

pólo   ----------------->   polo

pêra   ----------------->   pera

côa   ----------------->   coa

ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.

Acento agudo no u forte

Desaparece o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:

averigúe   ----------------->   averigue

apazigúe   ----------------->   apazigue

ele argúi   ----------------->   ele argui

enxagúe você   ----------------->   enxague você

ATENÇÃO! As demais regras de acentuação permanecem as mesmas.

Hífen

Eliminação do hífen em alguns casos.

O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:

1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:

extra-escolar   ----------------->   extraescolar

aero-espacial   ----------------->   aeroespacial

auto-estrada   ----------------->   autoestrada

2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:

Anti-religioso   ----------------->   antirreligioso

anti-semita   ----------------->   antissemita

contra-regra   ----------------->   contrarregra

infra-som   ----------------->   infrassom

ATENÇÃO! O hífen será mantido quando o prefixo terminar em r-
Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.

Trema

Extinção do trema. Desaparece em todas as palavras:

freqüente   ----------------->   frequente

lingüiça   ----------------->   linguiça

seqüestro   ----------------->   sequestro

ATENÇÃO! O trema permanece em nomes próprios como Müller ou Citröen.

BIBLIOGRAFIA: 

http://www.reformaortografica.com/

http://www.atica.com.br/novaortografia/index_.htm

1 comments:

Anônimo disse...

Tem bastante coisa da reforma que eu não usava e que só agora descobri que grafava errado.

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