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Esclerose Múltipla

domingo, 22 de junho de 2014

Esclerose Múltipla (EM): Entenda a doença autoimune

A esclerose múltipla (EM) foi descoberta pela ciência no ano de 1860, sendo o médico francês Charcot o responsável por tal descoberta. Desde então, iniciou-se a busca pela cura de tal enfermidade, sem sucesso até o presente momento. A esclerose múltipla é causada por dano à bainha de mielina, cobertura protetora que envolve as células nervosas (axônios). Quando esse revestimento protetor é danificado, os impulsos nervosos diminuem ou são interrompidos. O dano ao nervo é causado pela inflamação. A inflamação ocorre quando as células autoimunes do corpo atacam o sistema nervoso. Episódios repetidos de inflamação podem ocorrer em qualquer área do cérebro, nervo óptico ou da medula espinhal. 

Esquema do Sistema Nervoso Central no corpo humano.


Causas



A esclerose múltipla (EM) afeta mais mulheres do que homens. A doença geralmente é diagnosticada entre 20 e 40 anos, mas pode desenvolver-se em qualquer idade.

A esclerose múltipla é causada por dano à bainha de mielina, cobertura protetora que envolve as células nervosas. Quando esse revestimento protetor é danificado, os impulsos nervosos diminuem ou são interrompidos.

O dano ao nervo é causado pela inflamação. A inflamação ocorre quando as células autoimunes do corpo atacam o sistema nervoso. Episódios repetidos de inflamação podem ocorrer em qualquer área do cérebro, nervo óptico ou da medula espinhal. A característica mais importante da esclerose múltipla é a imprevisilidade dos surtos.

Esquema do sistema nervoso central com detalhe para a mielina.

Sintomas

Os sintomas da esclerose múltipla podem imitar os de muitas doenças do sistema nervoso central. A doença é diagnosticada com a exclusão de outras doenças. Pode causar muitos sintomas, incluindo visão turva, perda de equilíbrio, falta de coordenação, fala arrastada, tremores, dormência, fadiga extrema, problemas de memória e concentração, paralisia e cegueira e muito mais. Esses problemas podem ir e vir ou persistir e agravar-se ao longo do tempo. As pessoas com uma forma de esclerose múltipla chamada surto-remissão podem ter um histórico de pelo menos dois ataques separados por um período de sintomas reduzidos ou assintomáticos. 

Além disso, a maioria das pessoas com esclerose múltipla não se tornam gravemente incapacitados. Dois terços das pessoas permanecem capaz de andar, embora muitos vão precisar de uma ajuda, como uma bengala ou muletas, e alguns vão usar uma scooter ou cadeira de rodas por causa de fadiga, fraqueza, problemas de equilíbrio, ou para ajudar na conservação de energia. 

Diagnóstico

A maioria das pessoas são diagnosticadas entre as idades de 20 e 50. O médico pode suspeitar de esclerose múltipla se houver diminuição na função de duas partes diferentes do sistema nervoso central (como reflexos anormais) em dois momentos diferentes. O diagnóstico é basicamente clínico, complementado por exames de imagem, por exemplo, a ressonância magnética. O exame neurológico pode mostrar uma função nervosa reduzida em uma ou em várias partes do corpo. O diagnóstico da EM pode ser um processo desafiador. No início da EM, os sintomas podem ser não-específicos e sugestivos de várias desordens do sistema nervoso. Os primeiros sintomas que vêm e vão podem ser ignorados. Embora nenhum teste de laboratório único ainda disponível para provar ou descartar EM, a ressonância magnética (RM) é uma grande ajuda para chegar a um diagnóstico definitivo. Os critérios de diagnóstico que incorporam resultados de RM foram desenvolvidos e revisados ​​por especialistas na área e provedores de ter ajudado fazer um diagnóstico preciso e oportuno. 

Ressonância Magnética de um Esclerosado Múltiplo.


Tratamento

Uma vez confirmado o diagnóstico de esclerose múltipla, uma doença inflamatória desmielizante, com manifestação remitente-recorrente, o tratamento tem dois objetivos principais: abreviar a fase aguda e tentar aumentar o intervalo entre um surto e outro. No primeiro caso, os corticosteroides são drogas úteis para reduzir a intensidade dos surtos. No segundo, os imunossupressores e imunomoduladores ajudam a espaçar os episódios de recorrência e o impacto negativo que provocam na vida dos portadores de esclerose múltipla, já que é quase impossível eliminá-los com os tratamentos atuais. O prognóstico varia e é difícil de prever. Embora a doença seja crônica e incurável, a expectativa de vida pode ser normal ou quase normal. A maior parte das pessoas com esclerose múltipla continua andando e trabalhando com uma deficiência mínima durante 20 anos ou mais.

Recomendações

Embora não altere a evolução da doença, é importante manter a prática de exercícios físicos; Quando os movimentos estão comprometidos, a fisioterapia ajuda a reformular o ato motor, dando ênfase à contração dos músculos ainda preservados; O tratamento fisioterápico associado a determinados remédios ajuda também a reeducar o controle dos esfíncteres; Nas crises agudas da doença, é aconselhável o paciente permanecer em repouso. 

Dia Nacional De Conscientização Da Esclerose Múltipla

O dia 30 de agosto é o dia instituído pela lei federal 11.303 de 11 de maio de 2006, para a conscientização da Esclerose Múltipla em todo o Brasil. Nesta data, associações em vários estados promovem eventos sociais públicos com o objetivo de levar a um maior número de pessoas esclarecimentos sobre a E.M., buscando assim um contato direto com as pessoas, quebrando o estigma de que esta doença impossibilita a convivência social.

Com o passar dos anos, o pouco conhecimento da enfermidade e a falta de tratamentos para minimizar os efeitos da progressão da doença geraram preconceitos e crenças equivocadas na população, dentre as quais a de que a EM era uma doença mental, uma doença de idosos, ou mesmo a doença do esquecimento (por conta do adjetivo esclerosado, o qual é usado vulgarmente para designar pessoas esquecidas).

Tal desconhecimento acarreta grandes prejuízos para as pessoas acometidas de tal enfermidade, uma vez que o preconceito se manifesta nas mais diversas situações e o resultado é que depressão, falta de amizades e ânimo para viver passam a fazer parte do cotidiano de muitos portadores de esclerose múltipla.

Esclerose Múltipla e a cura alternativa: Vitamina D

Já circulou na internet a informação de pacientes com esclerose múltipla que foram tratados à base de altas doses de vitamina D. O documentário “Vitamina D - Por uma outra terapia", disponível no YouTube, conta, por exemplo, a história de seis portadores da doença que tiveram suas vidas transformadas a partir deste polêmico tratamento, que não é reconhecido pela maioria dos especialistas por ainda ser considerado experimental.

Um dos fatores de risco ambiental para o desenvolvimento da esclerose múltipla mais estudado atualmente é a deficiência da vitamina D. Apesar disso, Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista do Einstein, adverte que são vários os fatores de risco relacionados com a doença: os genéticos, os ambientais, e a interação destes (e não um fator isolado) que potencialmente desencadeariam os processos imunológicos responsáveis pelo início e pela evolução da doença.

A vitamina D é um precursor hormonal encontrado de duas formas: em plantas e peixes ou sintetizada pela exposição à luz solar. O homem pode manter os níveis necessários de vitamina D expondo-se ao sol, em horários e tempo mais adequados à produção e armazenamento, ou ingerindo alimentos enriquecidos com a vitamina. Esta, por sua vez, ajuda a manter o equilíbrio do cálcio e a mineralização do esqueleto humano.

Por outro lado, a deficiência da vitamina D pode estar relacionada à baixa exposição das pessoas à luz solar, ou por questões geográficas e climáticas. “Pode-se observar o elevado número de pessoas afetadas pela esclerose múltipla em países frios, em altas latitudes, e a baixa prevalência da doença em áreas mais próximas à linha do Equador, onde há maior tempo e clima favorável à exposição solar”, salienta Rodrigo Thomaz.

Um estudo publicado na revista Brain, por Jorge Correale, em janeiro de 2009, indicou que os níveis deficientes da vitamina D podem influenciar positivamente a evolução da doença. Outro estudo, da Harvard School of Public Health, liderado por Alberto Ascherio, em 2006, sugeriu a diminuição de 41% do risco de esclerose múltipla para cada 50nmol/L aumentando os níveis de vitamina D. Isto é, o risco de esclerose múltipla foi mais baixo entre aqueles ministrados com doses mais altas de vitamina D, e os riscos mais altos desta doença ficaram com aqueles com níveis mais baixos desta vitamina.
O neurologista do Einstein afirma: “Não se sabe ao certo como a reposição desta vitamina pode alterar o curso da doença. Outro problema inerente ao tratamento é a dose e o tempo ideal para repor os níveis deficientes, havendo o risco dos efeitos tóxicos incluindo a elevação dos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia), hipertensão arterial, náuseas, diminuição do apetite, fraqueza, constipação intestinal e insuficiência ou dano renal”.

Para Rodrigo Thomaz, até o momento, não existem estudos concluídos e baseados em evidências que indiquem que a substituição dos tratamentos convencionais pelo tratamento exclusivo com altas doses de vitamina D seja benéfica, ou superior.

“Ressalto que pesquisas envolvendo os níveis de Vitamina D em portadores de esclerose múltipla, na sua maioria, são realizados em países onde a incidência de raios ultra-violeta (UV), o tempo de exposição solar e os hábitos alimentares e culturais são diferentes do Brasil”.

Conclusão

Considera-se que a esclerose múltipla afete mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo, e o risco de uma pessoa apresentar EM de acordo com dados brasileiro é de cerca de 15 em 100.000 para a população geral. Atualmente não existe cura para a EM, porém os tratamentos atuais podem fazer mais do que simplesmente tratar os sintomas – eles podem reduzir o número de recorrências e também retardar a progressão da doença.

A esclerose múltipla afeta cada pessoa de forma diferente e os sintomas podem surgir e desaparecer ao longo do tempo. Alguns dos sintomas mais comuns são: dormência em partes do corpo, problemas de equilíbrio, fala desarticulada, problemas relacionados à bexiga, problemas intestinais, dificuldades cognitivas, depressão, fadiga, visão embaçada e tontura.

Também chamada de “exacerbação” ou “surto”, uma recorrência é quando os sintomas de uma pessoa pioram, ou quando surgem novos sintomas. Embora as recorrências sejam temporárias, elas algumas vezes produzem novos sintomas ou incapacitações que são permanentes. A esclerose múltipla não pode ser transmitida de uma pessoa para outra. A doença é causada por uma combinação entre os genes de uma pessoa e certos fatores ambientais.


REFERENCIAIS INDICADOS
FAQs about MS. National Multiple Sclerosis Society Web site. AQUI

Courtney AM, Treadaway K, Remington G, Frohman E. Multiple sclerosis. Med Clin North Am. 2009;93:451-476.

Symptoms. National Multiple Sclerosis Society Web site. AQUI

Exacerbations. National Multiple Sclerosis Society Web site. AQUI

Healthy Living. International MS Federation Web site. AQUI

Symptoms. International MS Federation Web site. AQUI

Pregnancy and Reproductive Issues. National Multiple Sclerosis Society Web site. AQUI

Eligibility Criteria by Alphabetical Listing. American Red Cross Web site. AQUI

Optic Neuritis. National Multiple Sclerosis Society Web site. AQUI

Minha Vida. Saúde, alimentação e bem - estar. AQUI

Dr. Drauzio. AQUI

Hospital Geral de Fortaleza. AQUI

Em Dia Com a Saúde. AQUI

Obs.: durante minha pesquisa, acessei esses websites.

1 comments:

Anônimo disse...

Tenho esclerose múltipla, e tenho muitos surtos, não tinha tanto conhecimento sobre a doença. Muito obrigada pelo rico conhecimento que trazes às pessoas.

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